domingo, 11 de julho de 2010

48 horas No Hospital

Bem vamos começar do começo,rsrs...



       Na quarta-feira dia 07 de julho,recebi uma ligação dizendo que uma tia estava no hospital em Itabuna.Ela precisa de uma acompanhante,logo me prontifiquei.


       Na quinta-feira dia 08,fui com meus 2 tias e 2 tios para Itabuna. A viagem até lá é uma historia a parte...


        Enfim chegamos no hospital,minha tia estava com um problema no pâncreas(uma glândula grande atrás do estômago e perto do duodeno. O pâncreas secreta enzimas digestivas no intestino através do tubo pancreático. Essas enzimas ajudam a digerir gorduras, proteínas e carboidratos da comida. O pâncreas também libera os hormônios insulina e glucagon na corrente sangüínea. Esses hormônios ajudam o corpo a usar glicose que obtém da comida em energia. Geralmente as enzimas digestivas não ficam ativas até alcançarem o intestino, onde começam a digerir o alimento. Porém, se essas enzimas ficarem ativas dentro do pâncreas começam a "digeri-lo"*.)


        No momento em que coloquei os pés no hospital minha cabeça começou a dor.Acabou o tempo de visita e todos foram embora.Ali estava Minha tia,uma outra moça com pneumonia e eu.Nossa Senhora,comecei a ficar triste quando percebi que iria ficar ali até na segunda-feira.Foi então que minha garganta começou a falhar,fiquei rouca.
       Minha tia pediu para que eu desse uma caminhada pelo hospital,fui andando pelo bloco que estávamos o famoso bloco B com seus 36 leitos,todos cheios.

       No hospital vemos tantas coisas,sentimos outras tantas..O sofrimento e a esperança de se curar e são sentimentos que mais se sobressaem.
Estávamos no apartamento 5 ,atrás do nosso,tinha 2 senhoras,uma com cirrose,só mexia os olhos e quando chegava a noite,ela começava a gritar pelo neto Cleiton,o qual não apareceu nenhuma vez durante essas 48 horas as quais passei lá.A segunda velhinha,se chama Maria,estava com problemas pulmonares,acho que devido a idade avançada.Sempre que via eu passando na porta do quarto dela ela me chamava,ela chorava muito,falava que ia morrer que ela não queria morrer,que ela estava só,que precisava ter Jesus no coração antes de morrer,que isso era o que faltava para ela ficar em paz,a doença dela segunda a mesma era de alma.
       Na sexta- feira minha voz,sumiu..Falava sussurrando,sexy em?As enfermeiras estavam preocupadas comigo,pois eu estava dormindo num colchonete,mas na sexta mesmo consegui um colchão inflável.Quando estava dormindo minha tia apareceu com uma moça perguntando se ela poderia dormir no colchão que eu estava,por mais que eu odeio dormir em cama de solteiro com outra pessoa disse sim.Acredita que a cama não ficou apertada?Parecia que eu estava numa cama de casal e olha que eu não empurrei a menina.


      Na sábado minha tia falou que a moça, estava acompanhando o pai,que tinha sido internado em caso de emergência,e ela não se preparou para dormir no hospital,minha tia encontrou ela dormindo no banco de madeira próximo ao bebedouro.


      No sábado as 16:00, fui embora,me despedi de todas as pessoas que fiz amizade,todas muito queridas,as coisas que mais aprendi nessas 48 horas foram: O amor é o que move a vida;que não existe coisa pior do que você esta doente e não tem ninguém para ficar contigo;que com saúde não se brinca;que apesar dos 6 óbitos que tivemos no bloco B,durante esse tempo tivemos 2 altas, e 80% de melhora do quadro dos pacientes;A morte é uma coisa que as vezes e melhor que a dor, no entanto a vontade de viver fala mais alta,então não devemos nós entregar fácil a ela;reforcei aquela velha frase “Mais vale um amigo na praça do que dinheiro no bolso”,pois a sentimentos que dinheiro no mundo não compra;Descobrir que as enfermeiras amam falar mal dos médicos e que os estagiários acham que já se formaram;também descobri que os enfermeiros não sabe o nome das pessoas e sim o numero de seus leitos,a única que sabe o nome de todos e a enfermeira chefe;A solidariedade e presente e necessária entre os acompanhantes dos pacientes...


       Foram tantas coisas que aprendi que se falar todos os fatos e boatos meus dedos vão doer muito..O que escrevi só foi o resumo do que vi e senti nessas 48 horas no hospital,que jamais esquecerei.



*http://patologiavirtual123.blogspot.com/2010/04/pancreatite.html